Sustentabilidade como diferencial competitivo

“Se quisermos progredir não devemos repetir a história, mas fazer uma nova história. Devemos ser a transformação que nós queremos do mundo”. Estas sábias palavras de Mahatma Gandhi nos fazem refletir sobre nosso atual estilo de vida e a forte necessidade de mudanças. Neste turbilhão de acontecimentos tudo nos leva a crer que chegou a hora da SUSTENTABILIDADE.
Fernando Almeida, presidente-executivo do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) define sustentabilidade como sendo “condição de sobrevivência do planeta, do homem e de seus empreendimentos”. Mas como podemos manter os empreendimentos sem comprometer as necessidades das gerações futuras? Este é um desafio ímpar a todos os povos da Terra. Isso justifica, inclusive, o que disse a Professora Dra. Maria Tereza Leme Fleury, respeitada escritora e dirigente da FGV (Fundação Getúlio Vargas): “Hoje existe toda uma pressão para as empresas, e não apenas para um certo tipo de organização, de não olhar apenas o lado do acionista, do shareholder, mas para todos os stakeholders (partes interessadas). Existe assim uma demanda por esse tipo de profissional preocupado com questões socioambientais. Ou seja, se no passado havia um grupo de jovens muito envolvidos com essas questões, muito preocupados em atuar sobre elas, hoje isso se generalizou” (Revista Pagina 22 FGV, dez/2009 jan/2010). Saber que a Administração Profissional se preocupa com estas questões nos faz pensar na Sustentabilidade com bastante otimismo.
Apesar de todo esforço, o conceito de Sustentabilidade parece pouco compreendido. Se por um lado a maior parte das pessoas ignora condutas simples que poderiam gerar consideráveis melhoras (cuidados com lixo, água, energia, transporte, etc.), por outro, as próprias organizações estão demorando muito a compreender o grau de importância da Sustentabilidade, inclusive, como diferencial competitivo.
Pensar que os fósforos ainda são feitos de madeira. Que em pleno Século XXI os automóveis continuam a ser grandes vilões nas questões ambientais (combustíveis inadequados, materiais plásticos e de borrachas sintéticas inadequados, falta de política de desmanche e reciclagem ao fim de sua vida útil, produção focada em volume e não em tecnologia limpa, etc.). Que ainda estamos num tempo onde há exageros nas exigências de cópias de documentos em organizações privadas e públicas, ao invés de se popularizar a tecnologia da digitalização de documentos. Que ainda não sabemos o que fazer com os nossos celulares que se estragam, muito menos com suas baterias. Entre milhares de exemplos que comprovam que caminhamos a passos de tartaruga rumo a um mundo mais sustentável, onde impere um estilo de vida focado na preservação da vida humana e do ecossistema. Muito me preocupa que a produção e consumo em massa ainda sejam medidas de riquezas dos países e das organizações, cujos números gerados neste sistema anti-Sustentabilidade acabam sendo balizadores para estabilidade das bolsas de valores e medidas de sucesso das economias mundiais.
Apesar do nível de conscientização estar aumentando a cada dia, o comportamento decisivo do consumidor consciente ainda é incipiente. Isso pode esconder uma ilusória margem de segurança aos participantes do mercado, crendo que poderão continuar a fazer as coisas como sempre fizeram, sem que nada de surpreendente aconteça. Porém, não se pode ignorar o fato de que alguns produtores, privilegiados em sua visão, percebam neste estágio de apenas consciência social, ótimas oportunidades. Em outras palavras, algumas organizações podem deixar de lado a política de apenas veicular propagandas bonitas na TV sobre preservação ambiental e começarem a lançar produtos, tradicionais ou inovadores, que realmente possam ser chamados de sustentáveis, que não agridam o meio ambiente quando em uso, sejam dotados de política clara de reciclagem e descarte, e que sua construção gere baixo impacto à natureza, e desta forma, estas organizações diferenciadas, possam convencer o consumidor de que, ao comprar seus produtos, realmente estará agindo em favor da Sustentabilidade.
Imagino um dique, com uma alta e reforçada parede que represa bilhões de litros de água, mas que, em seu centro, surge um orifício de onde começa a jorrar um insignificante fio d’água. A cada dia este orifício cresce mais e mais, e pode se tornar ao longo do tempo um considerável buraco que poderá provocar o arrebentamento da represa. Este pequeno orifício é o anseio de mudanças que emana da sociedade e dos consumidores, hoje pouco considerado pela maior parte das organizações (que formam a parede do dique). Se isso pode ser tratado como oportunidade o velho ditado poderá se repetir: “quem chegar primeiro, beberá água limpa”, e neste caso, ser água limpa é condição indispensável.

Prof. Adolfo Pereira é mestrando em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida pelo UNIFAE, MBA em Gestão de Pessoas pela PUC, Diretor da APCE – Adolfo Pereira Consultoria Empresarial, Palestrante, Consultor e Professor Universitário (contato@adolfopereira.com.br / www.incorporativa.com.br).

Referência Bibliográfica
INFORMAÇÃO para o novo século. Revista Página 22 FGV. 37. dez. 2009 jan. 2010.

CONSELHO Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. Guia de Comunicação e Sustentabilidade.