ASPECTOS E CONCLUSÕES SOBRE A METODOLOGIA FOTO-VIVÊNCIA

A metodologia Foto-Vivência nasceu a partir de uma pesquisa de intervenção que tinha como hipótese inicial que a criatividade para solução de problemas e a tomada de decisão seriam mais efetivas se os atores dessas questões tivessem um verdadeiro reconhecimento de limites cognitivos, uma capacidade de ousar de forma consciente e um reconhecimento de vínculos nas relações interpessoais.

 

Essa hipótese inicial foi formulada ao se responder a três questões fundamentais:

 

Até que ponto o Reconhecimento de Limites e Vínculos são importantes na Tomada de Decisão e nas Relações Interpessoais?

 

Que metodologia ou estratégia mais favorece ao desenvolvimento do reconhecimento de limites e do poder decisório?

 

Que outros fatores interferem no processo de decisão e reconhecimento de limites?

 

O empreendimento da pesquisa, no sentido de intervenção, levou em conta fatores como o contato físico com materiais, a inteligência do ator, os aspectos científicos à disposição desse ator e o seu poder criativo.

 

Associado a esses fatores e atendendo à premissa das relações interpessoais, a pesquisa teria de ser desenvolvida com atores de diferentes características profissionais e pessoais, constituindo um grupo de experimento.

 

Como metodologia de pesquisa de campo, na forma de intervenção, importava fazer cada ator experimentar as mais diferentes formas de sensações, individuais e coletivas (Experiência de Sujeito) bem como submetê-lo à Quebra de Dualidades. Assim, a metodologia empregada seria totalmente vivencial.

 

Os resultados obtidos após a Implementação de uma programação prático-vivencial para análise de resultados, com 18 encontros de 2 horas cada, para quatro grupos de 30 atores (participantes do experimento), demostraram que os aspectos meramente cognitivos são insuficientes para o reconhecimento de limites, para a tomada de decisão e para o relacionamento interpessoal.

 

Novos estudos fizeram incluir na programação de experimento aspectos menos cognitivos e mais corporais e, com mais 120 voluntários em quatro grupos de 30, os resultados foram mais significativos, especialmente nas questões relacionadas ao reconhecimento de limites e vínculos. Ainda assim percebeu-se um vácuo existente entre os trabalhos corporais e cognitivos.

 

Em novos estudos, a percepção sobre a influência da comunicação e da linguagem nas questões decisórias criativas e de relacionamento interpessoal permitiu uma nova linha experiencial com 120 voluntários, em quatro grupos de 30 atores, incluindo-se os três aspectos: corporal, comunicação e mental.

 

Utilizando-se planilhas se sensação, de administração de tempo biológico, de análise de discurso e aspectos observacionais pela equipe de pesquisa, pode-se se concluir e formular, com esses 120 voluntários e depois com mais 18 grupos de ratificação.

Análise dos Dados

1- Aspectos Térmicos (T)

Apesar de um decréscimo em torno de 36% sobre as sensações térmicas, é possível se admitir que tais sensações tenham influência irrisória.

Considerando-se o baixo índice desse registro no conjunto das sensações dominantes, embora se verifique que tais sensações são marcantemente substituídas por outras, os aspectos térmicos não afetam e nem modificam os resultados esperados pelas práticas vivenciais experimentadas.

 

2- Aspectos Vitais (V)

Os aspectos vitais, notoriamente, não comprometem nem influenciam sobre os de natureza emocional de modo significativo. Os baixos índices de indicação de saída e os percentuais de decréscimo em relação à entrada demonstram claramente a pouca identificação entre esses dois aspectos. Entretanto, é de se admitir que as condições vitais, de modo mais geral, se comprometidas, podem gerar influências bem mais significativas que o resultado encontrado.

Ao considerarmos somente as questões da fome e da sede, não estávamos definindo essas características como mais significativas para essa comparação, embora, os aspectos ambientais e o horário das atividades, induzissem a vivificação desses traços vitais.

 

3- Aspectos Físicos (F)

3.1 Sob o aspecto de uma comparação entre a sensação de leveza com a condição de cansaço físico inicial, pode-se perceber uma redução considerável de 51% deste último aspecto e um acréscimo de 43% no estado de leveza, o que parece um indício de interesse.

Não se trata de uma simples troca de estado, porém, o conjunto de práticas, dentro da metodologia empreendida, demonstra que o cansaço físico não compromete o desempenho das atividades, enquanto, as mesmas, favorecem uma sensação de bem-estar físico.

3.2 No que concerne à pré-disposição para as atividades prático-vivenciais, as demais sensações físicas demonstram uma redução considerável dos índices de entrada, o que sugere uma translação desse estado para o emocional, sem comprometimentos. É provável que as relações interpessoais mais eficazes tenham uma dependência mínima em relação aos aspectos físicos envolvidos.

3.3 Considerando os baixos índices de indicação sobre o Enjôo, tal dado não permite um maior aprofundamento dentro das atividades praticadas.

 

4- Aspectos Emocionais (E)

4.1 Os altos índices de decréscimo nos estados de medo, impaciência, tensão e depressão nas atividades prático-vivenciais, sugerem a identificação de um novo estado: Confiança.

De fato, os índices percentuais verificados corroboram a interpretação que a equipe técnica do Projeto Foto-Vivência fez pelos instrumentos observacionais, durante as atividades: a metodologia aplicada desenvolve a Confiança dos participantes para suas ações. Pode-se afirmar ser essa Confiança o instrumento para a tomada de decisão ou, pelo menos, para a Iniciativa da Tomada de Decisão.

4.2 Do mesmo modo, os altos índices de redução das indicações de tristeza, mágoa e ódio, ao fim dos trabalhos prático-vivenciais e o altíssimo índice de crescimento da sensação/estado amor, representa, claramente, a possibilidade de uma maior capacidade de relacionamento interpessoal e de reconhecimento de limites. E, aqui, mais uma vez, tais dados corroboraram a interpretação da análise observacional feita pela equipe da pesquisa.

4.3 Com respeito a sensação alegria, é possível se perceber, pelos quadros acima que já havia (entrada) o estado pré-disposto de alegria e que se manteve ao longo das atividades. O acréscimo verificado, não significativo, permite admitir que tal pré-disposição (ou estado inicial) não é comprometido com as atividades propostas e desenvolvidas. Talvez se constitua como um in put relevante.

4.4 Nos trabalhos iniciais do Projeto Foto-Vivência, quando do desenvolvimento da criatividade, foram verificados em todos os encontros um estado de Felicidade (no sentido que transcende a própria Alegria) que marcou a identificação de uma egrégora (sentido de unicidade) fantástica.

 

Pelos quadros acima, é possível se perceber a multiplicação desse estado inicial, independente das observações feitas durante as atividades. Esse estado que se destaca representa um reencontro de cada participante consigo mesmo. A pesquisa e o estudo realizado não se propuseram a atuar sobre a manutenção desse estado final, porém, é claro que esse registro individual não se perde ao final de cada encontro. É um novo ponto de reflexão ou de referência que a metodologia utilizada produz.

 

Cabe comentar essa sensação dominante (Felicidade).

 

Talvez fosse possível definir felicidade como um sentimento de harmonia, de paz ou de serenidade.

 

Sob o ponto de vista bioquímico, há substâncias que provocam esses sentimentos: são as Endorfinas que, estimuladas por pensamentos positivos, são lançadas na corrente circulatória, provocando essa sensação de felicidade. Ao contrário, estimulações negativas produzem “venenos” capazes de provocar sintomas que nos tornam doentes, como a acidez estomacal, falta de ar, arritmias cardíacas, redução da libido, entre outras; sintomas que também nos tornam infelizes. Assim, a felicidade e os pensamentos e atitudes positivas têm uma relação direta. Aqui, felicidade e saúde estão intimamente ligadas.

 

Por outro rodeio, envolvendo a relação felicidade e saúde, podemos concluir que a “não-felicidade” está associada a uma saúde debilitada, geradora de uma série de doenças de origem psicossomática.

 

Imaginemos, pois, que os nossos desejos sejam reprimidos. O nosso processo de ansiedade é logo manifestado oferecendo-nos uma carga de tensão e stress emocionais que deflagra o crescimento da agressividade e da rudeza das atitudes que, se reprimidas, aumentam a atividade mental com tal desconexão que realimenta aquela ansiedade, restabelecendo o círculo vicioso.

 

Se esse círculo vicioso não for rompido o quadro psicossomático atingirá proporções indesejáveis. Então, investir na felicidade significa restabelecer a saúde do indivíduo.

 

Considerando os resultados encontrados na sensação felicidade, no experimento realizado, pode-se afirmar que a metodologia Foto-Vivência atua de forma absoluta no campo da saúde.

 

 

Conclusões

Empreender uma pesquisa de constatação do óbvio pode parecer empreendimento do fracasso, porém, aquilo que nos pode parecer óbvio, e às vezes o é, traz um volume de informações tão significantes que o óbvio ironiza o contraditório. Assim, não há resultado que seja desinteressante ou frustrante.

 

A pesquisa foi, então, uma proposição exata e seria um erro pô-la em dúvida, mesmo discutindo temas como criatividade, comunicação e limites nitidamente infindáveis. Assim pode parecer que a pesquisa foi muito limitada, como se os mecanismos invisíveis da exploração exigissem, para serem evidenciados, uma demonstração dos seus efeitos visíveis no corpo.(1)

 

Na verdade, a pesquisa e o próprio Projeto Foto-Vivência podem ser divididos em três momentos: o primeiro, onde a discussão sobre a criatividade na solução de problemas e a tomada de decisão se constituíram como a tônica e que gerou questões sobre a metodologia empregada e sobre o reconhecimento de limites e vínculos; o segundo, objetivamente, representou as respostas para aquelas questões e se constituiu como propósito para esta metodologia vivencial e, o terceiro, ainda em curso e que deu origem aos Estudos e Pesquisa do Projeto Foto-Vivência, tem por objetivo o aprofundamento das questões sobre evidências ou indícios sobre o comportamento humano.

 

Diante do exposto, analisando o conjunto de todas as planilhas e relatórios, feedbacks, os registros de encontros pela equipe de observação e depoimentos ocasionais, é possível se estabelecer as conclusões, enfocando as questões formuladas.

 

1- A metodologia aplicada age fortemente na melhoria das relações interpessoais, gerando uma egrégora fantástica; desperta valores internos adormecidos nos participantes, como a arte, o talento, a necessidade do relacionamento e a capacidade inventiva; aflora o reconhecimento de limites, oferecendo aos participantes a oportunidade de perceberem detalhes menos evidentes e, sobretudo, criando uma referência para a iniciativa; descortina os vínculos ou vinculações existentes sem, no entanto, oferecer mecanismos diretos para sua ruptura ou dissolução gradual e, cria mecanismos de confiança que favorecem à tomada de decisão através da melhoria da autoestima do participante.

 

2- A riqueza de dados obtida nos trabalhos vivenciais não interessa somente a um grupo de pesquisa. Cada participante é ouvinte, expectador e coparticipe dos “outros” e absorve, naturalmente, essa riqueza de dados. Assim, uma estratégia, onde a exposição oral e clássica (carteiras e quadro-negro) seja predominante distancia o participante de uma prática mais ousada, ao contrário de outra, onde o prático-vivencial plenamente estabelecido favorece, sobremaneira, o reconhecimento de limites, o poder decisório, as relações interpessoais mais eficazes e a própria criatividade.

 

3- Reconhecer limites e vínculos, mas, especialmente reconhecer limites, é um degrau extraordinário para a iniciativa, para a capacidade de tomar decisões e para o relacionamento interpessoal. Há um nítido paralelo entre o reconhecimento de limites e a capacidade de “ousar”.

 

4- Há outros fatores que interferem no processo decisório e de reconhecimento de limites: a relação intrapessoal, como o contato consigo mesmo e o autorrespeito é forma de se perceber a autoestima como fator determinante; a comunicação e a linguagem, quer na forma mais explícita, quer nas formas silenciosas, quer, ainda, na forma mais simbólica do toque e da gestualidade, estão sempre envolvidos significativamente no reconhecimento de limites e na capacidade de decidir e se constituem como ancoradouros.

 

5- É certo que os resultados alcançados que dão afirmação às premissas sobre o reconhecimento de limites, decisão, criatividade e às relações interpessoais, são bastante convincentes, entretanto, seus efeitos não são permanentes, o que não constitui fragilidade da metodologia empregada, porém, revelam, para muitos que retornam ao processo, um reencontro com a egrégora, com o acolhimento, como se “aqui é o meu espaço, lá fora não dá”.

 

6- A criatividade do participante é vivamente ampliada à medida que se estabelece a egrégora. A comunhão verificada age diretamente sobre sua autoestima, contribuinte direta do desenvolvimento da criatividade.

 

7- O reconhecimento de vínculos favorece substancialmente as relações interpessoais e representa uma construção de autoimagem que se emparelha ao reconhecimento de limites, contribuindo para a confiança e ousadia, favorecendo, assim, para a capacidade da tomada de decisão.

 

8- É praticamente impossível perceber-se as fronteiras entre o Pensar, Sentir, Decidir e Agir, mas é notório que a experiência de sujeito e a quebra de dualidades, de forma plena e integral, contribuem para a ampliação dessas características.

 

9- Em última análise, a metodologia vivencial empregada, melhora a autoestima do participante, favorecendo sua qualidade de vida, proporcionando o reconhecimento das armadilhas da decisão.

 

10- Foto-Vivência é propósito de Qualidade de Vida; é Saúde Integral.

 

(1) Do estudo de Psicopatologia do Trabalho de Cristophe Dejours, quando trata da luta da sobrevivência e a revelação do corpo como ponto de impacto e expressão.